Sérgio Lima
É um autor guarulhense apaixonado pelas palavras, cuja brincadeira favorita de infância, escrever, tornou-se profissão. Professor de Língua Portuguesa, Inglesa, Literaturas e Produção Textual, leciona na EMEF Dom Pedro I, em São Paulo. Vencedor do Prêmio João Ranali pela Melhor Crônica de 2021, já integrou colunas literárias na Tribuna e diversas antologias da editora Scortecci. Orgulha-se de ter plantado uma árvore e de ser pai do Bruninho, um Yorkshire sapeca de sete meses. Em 2026, lançou Escreviver, sua primeira coletânea com 25 boas historinhas e agora apresenta o seu primeiro romance O Refúgio na Bienal Internacional do Livro.
É um autor guarulhense apaixonado pelas palavras, cuja brincadeira favorita de infância, escrever, tornou-se profissão. Professor de Língua Portuguesa, Inglesa, Literaturas e Produção Textual, leciona na EMEF Dom Pedro I, em São Paulo. Vencedor do Prêmio João Ranali pela Melhor Crônica de 2021, já integrou colunas literárias na Tribuna e diversas antologias da editora Scortecci. Orgulha-se de ter plantado uma árvore e de ser pai do Bruninho, um Yorkshire sapeca de sete meses. Em 2026, lançou Escreviver, sua primeira coletânea com 25 boas historinhas e agora apresenta o seu primeiro romance O Refúgio na Bienal Internacional do Livro.
O Refúgio
No labirinto silencioso das bibliotecas de São Paulo, o jovem estudante Sérgio busca um tema para seu TCC. Entre o cansaço dos prazos e o descaso com a memória nacional, o destino coloca em suas mãos um manuscrito misterioso, esquecido por um idoso enigmático. Sem registro nos catálogos e ignorado pelas buscas virtuais, o velho livreto traz um título rasurado e uma promessa audaciosa: resgatar do esquecimento a história do EPIC — Brazilian Way, um navio militar brasileiro enviado para auxílio dos Aliados na Segunda Guerra Mundial. Ao abrir aquelas páginas amareladas pelo tempo, Sérgio — e você, leitor — é transportado para o epicentro de um drama sufocante: Sam, um jovem soldado de dezoito anos, introspectivo e amante da literatura, é convocado para uma missão no gigante de aço. Em meio à brutalidade do confinamento militar, ao preconceito velado e à iminência da morte, Sam encontra em Dylan — um recruta marcado pela coragem e pela busca por identidade — muito mais do que um companheiro de missão. O refúgio não é apenas um romance sobre os horrores da guerra, as intrigas de bordo ou um trágico naufrágio. É um manifesto sobre a resistência do afeto. Entre o calor das caldeiras e a escuridão do oceano Atlântico, os corpos e as almas desses jovens se alinham para desafiar as regras de um mundo que os rejeita. Sérgio Lima constrói uma narrativa poderosa e magnética, onde o passado e o presente se entrelaçam através da palavra escrita. Um livro emocionante e envolvente sobre a força da literatura, as marcas indeléveis da guerra e a coragem necessária para amar em tempos de ódio.
ENTREVISTA
Olá Sergio. É um prazer contar, novamente, com a sua participação na Revista do Livro da Scortecci
Do que trata o seu Livro?O refúgio é uma obra de ficção histórica e resgate que se desenvolve em duas linhas temporais conectadas pelo poder da leitura e da memória. De um lado, acompanhamos Sérgio, um jovem estudante de Letras de vinte anos em Guarulhos que, enquanto enfrenta a pressão do seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), descobre na Biblioteca Mário de Andrade um misterioso livro antigo, de edição única e sem registros na internet, "O refúgio".Ao abrir essas páginas, a narrativa nos transporta para 1945, acompanhando o destino de Sam e Dylan — dois jovens imigrantes europeus convocados pelo exército brasileiro para embarcar no transatlântico EPIC – BRAZILIAN WAY rumo ao front da Segunda Guerra Mundial. É uma história sobre o peso da guerra, a busca pela identidade, a vulnerabilidade e os laços profundos de afeto que nascem nos cenários mais hostis e gélidos do mundo.Como surgiu a ideia de escrevê-lo e qual o público que se destina sua obra?A ideia surgiu do desejo de explorar uma lacuna frequentemente esquecida na nossa história: a participação de jovens soldados brasileiros no maior conflito do século XX. O próprio livro brinca com isso quando o personagem Sérgio nota a escassez de descrições profundas sobre o envolvimento do Brasil na guerra durante suas pesquisas. Quis criar uma narrativa que humanizasse esses "números" da Força Expedicionária Brasileira, misturando o rigor do contexto histórico a dramas humanos universais e íntimos.A obra se destina a um público amplo: desde os apaixonados por ficção histórica e grandes tramas de época até jovens adultos que se identificam com as crises existenciais, pressões acadêmicas e a busca por aceitação e liberdade que os personagens enfrentam, seja em 1945 ou nos dias de hoje. E, sobretudo, ao público LGBTQIAPN+, muitas vezes marginalizado em nosso mundo que tenta nos enganar ao dizer que não há amor. Há sim, e o livro tenta, em parte, provar isso.Fale de você e de seus projetos no mundo das letras. O primeiro de muitos ou um sonho realizado?Assim como o personagem Sam do livro, que confessa o sonho genuíno de trilhar seus primeiros passos como escritor, e o próprio Sérgio, que vive imerso no universo das Letras, eu vejo a escrita como um verdadeiro refúgio e uma necessidade vital de expressão."O refúgio" representa a concretização de um grande sonho, o marco de colocar no papel uma história que precisava ser contada. Mas, com certeza, é também o primeiro de muitos projetos. O mundo das letras é infinito, e a experiência de dar vida a personagens tão complexos e ver o impacto de suas jornadas no leitor me motiva a continuar explorando novas narrativas, gêneros e conflitos humanos nos próximos livros.O que te inspira escrever?A minha maior inspiração vem das miudezas humanas diante de grandes acontecimentos e das conexões invisíveis que o tempo não consegue apagar. Inspira-me o contraste — como o afeto e a sensibilidade podem sobreviver em um ambiente tão bruto e rígido.Inspira-me também a própria literatura e o ambiente das bibliotecas públicas, que são verdadeiros portais de histórias esquecidas. No livro, o "livro de amor" encontrado por acaso muda os rumos da pesquisa e da imaginação de um estudante; na vida real, são esses pequenos achados, os olhares inocentes que se cruzam e os dilemas morais da nossa sociedade que me movem a sentar diante do papel e criar.O seu livro merece ser lido? O que ele tem de especial capaz de encantar leitores?O leitor é encantado pela riqueza psicológica dos personagens: a delicadeza e a inteligência tática de Sam (capaz de erguer um mastro de 231 kg usando a mente e a memória da infância), a resiliência e a honra de Dylan, e os mistérios que cercam o sombrio terceiro-tenente John Faulks e o icônico quarto 24 no quinto pavimento do navio. É uma leitura visual, sensorial e profundamente emocional que faz o leitor refletir sobre empatia, sobrevivência e o valor da nossa própria liberdade. O que ele tem de especial é justamente essa fusão perfeita: é um livro “de amor” em tempos de guerra; é um livro sobre o Brasil e os imigrantes; é um livro sobre construção de identidade e coragem. Por tudo isso, acho que poderiam dar uma chance ao livro!Como ficou sabendo e chegou até a Scortecci?Como escritor dedicado a encontrar o espaço ideal para as minhas histórias, a busca por uma editora de prestígio e com tradição no mercado editorial brasileiro sempre foi uma prioridade. Cheguei até a Scortecci por meio de referências consolidadas no meio literário, conhecendo o seu histórico de acolhimento a novos autores e o profissionalismo na produção e difusão do livro físico.Em um cenário onde, como o próprio personagem Sam reflete, "homens bons se faz com livros", encontrar uma casa editorial que compartilha desse respeito pela palavra escrita e pela preservação de edições fiéis e bem cuidadas foi o caminho natural para dar vida a "O refúgio".E um apreço especial ao João Scortecci, que há mais ou menos uns 10 anos, quando publiquei minha primeira Antologia com a editora – “Palavras Abraçadas” – disse para eu sempre continuar escrevendo e que a Scortecci era um lugar seguro para as minhas histórias. Bem, aqui estou...
Obrigado pela sua participação.











